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Moro sempre teve propósito político, afirma Bolsonaro

Moro deixou o governo em 2020, acusando o mandatário de tentar interferir na Polícia Federal.

08/11/2021 18h22
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Por: Redação
Foto: Alan Santos / PR
Foto: Alan Santos / PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (8) que o ex-ministro Sergio Moro "sempre teve um propósito político".

Moro deixou o governo em 2020, acusando o mandatário de tentar interferir na Polícia Federal.

 O ex-juiz da Lava Jato planeja se filiar ao Podemos na quarta (10) e sinalizou a aliados que pretende entrar na disputa pelo Palácio do Planalto.

 "Você começa a entender um pouco mais as coisas, entender o que eu passei com o ministro Sergio Moro. Ele sempre teve um propósito político, nada contra, mas fazia aquilo de forma camuflada. E ele tinha intenção sim de ir ao Supremo [Tribunal Federal]. Num primeiro momento eu achei justa a intenção dele, depois eu passei a conhecê-lo um pouquinho melhor", disse Bolsonaro, durante entrevista à Jovem Pan.

 A entrevista foi gravada no final de semana, durante visita de Bolsonaro ao Paraná, e transmitida na manhã desta segunda (8).

 "O que eu queria na Polícia Federal? Não é interferir nada, quero interlocução. O então diretor[-geral] da PF [Maurício Valeixo], que era do Paraná, nunca foi falar comigo para apresentar um diretor [regional]", declarou Bolsonaro.

 Em outro trecho da entrevista, Bolsonaro argumentou que Moro não aceitou a determinação de trocar dois superintendentes da corporação.

 "Começaram os problemas. Eu nunca pedi para [o Moro] me blindar, eu sempre falei para ele: 'não deixe que me chantageiem'", afirmou.

 Moro abandonou a 13ª Vara de Curitiba para assumir o Ministério da Justiça de Bolsonaro, logo após o segundo turno das eleições de 2018, com a promessa de que teria carta-branca na pasta. Depois de deixar a Esplanada, o principal revés do ex-juiz ocorreu em junho deste ano, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) o declarou parcial no julgamento de Lula no caso do tríplex.

Bolsonaro reafirmou nesta segunda (8) que Moro "tinha um interesse político" durante sua passagem pela pasta da Justiça.

 "E o Moro lamentavelmente tinha um interesse político. Como pode uma pessoa abrir mão de 23 anos de magistratura para ser ministro? Sabendo que poderia ser demitido no dia seguinte e jogar tudo aquilo fora. Ele aos poucos foi se revelando que tinha um projeto", declarou.

 O presidente repetiu ainda na entrevista o que afirmou em depoimento à PF, de que Moro teria condicionado uma troca no comando da corporação à sua indicação para uma vaga de ministro do STF. O ex-ministro nega.

 "Tinha que trocar o Valeixo, ele [Moro] resolveu partir para uma troca comigo. Ele falou: 'você me indica para Supremo e depois o futuro ministro troca o Valeixo'. Eu falei: 'pô, Moro, você está de brincadeira. Eu quero trocar o Valeixo por uma falta de interlocução maior entre nós."

 Apesar de apontar propósito político em Moro, Bolsonaro elogiou seu ex-ministro na entrevista. Disse que ele "fez um trabalho bom na Lava Jato" e ajudou a redirecionar o futuro do Brasil".

 Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou no sábado (6), auxiliares de Bolsonaro dizem que a eventual entrada de Moro na corrida eleitoral de 2022 deverá ter impacto sobre a chamada terceira via, mas sem força suficiente para romper a esperada polarização com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 Caso participe da corrida eleitoral, Moro vai se somar à lista de possíveis candidatos que tentam romper o protagonismo de Lula e Bolsonaro no próximo pleito.

 Fazem parte do grupo Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Rodrigo Pacheco (PSD), entre outros.

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